Buch · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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81 "E foi que de doença crua e feia, A mais que eu nunca vi,
desampararam Muitos a vida, e em terra estranha e alheia Os ossos
para sempre sepultaram. Quem haverá que, sem o ver, o creia? Que
tão disformemente ali lhe incharam As gengivas na boca, que
crescia A carne, e juntamente apodrecia.
82 "--Apodrecia com um fétido e bruto Cheiro, que o ar vizinho
inficionava; Não tínhamos ali médico astuto, Cirurgião subtil
menos se achava; Mas qualquer, neste ofício pouco instructo, Pela
carne já podre assim cortava Como se fora morta, e bem convinha,
Pois que morto ficava quem a tinha.
83 "Enfim que nesta incógnita espessura Deixamos para sempre os
companheiros, Que em tal caminho e em tanta desventura Foram
sempre conosco aventureiros. Quão fácil é ao corpo a sepultura!
Quaisquer ondas do mar, quaisquer outeiros Estranhos, assim mesmo
como aos nossos, Receberão de todo o Ilustre os ossos.
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