Buch · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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9 E depois que ao Rei apresentaram, Co'o recado, os presentes que
traziam, A cidade correram, e notaram Muito menos daquilo que
queriam; Que os Mouros cautelosos se guardaras De lhes mostrarem
tudo o que pediam: Que onde reina a malícia, está o receio, Que a
faz imaginar no peito alheio.
10 Mas aquele que sempre a mocidade Tem no rosto perpétua, e foi
nascido De duas mães, que urdia a falsidade Por ver o navegante
destruído, Estava numa casa da cidade, Com rosto humano e hábito
fingido, Mostrando-se Cristão, e fabricava Um altar sumptuoso,
que adorava.
11 Ali tinha em retrato afigurada Do alto e Santo Espírito a
pintura: A cândida pombinha debuxada Sobre a única Fénix, Virgem
pura; A companhia santa está pintada Dos doze, tão torvados na
figura, Como os que, só das línguas que caíram, De fogo, várias
línguas referiram.
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