Buch · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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24 Torna para detrás a nau forçada, Apesar dos que leva, que
gritando Mareiam velas; ferve a gente irada, O leme a um bordo e
a outro atravessando; O mestre astuto em vão da popa brada, Vendo
como diante ameaçando Os estava um marítimo penedo, Que de
quebrar-lhe a nau lhe mete medo.
25 A celeuma medonha se alevanta No rudo marinheiro que trabalha;
O grande estrondo a Maura gente espanta, Como se vissem hórrida
batalha; Não sabem a razão de fúria tanta, Não sabem nesta pressa
quem lhe valha; Cuidam que seus enganos são sabidos, E que hão de
ser por isso aqui punidos.
26 Ei-los subitamente se lançavam A seus batéis velozes que
traziam; Outros em cima o mar alevantavam, Saltando n'água, a
nado se acolhiam; De um bordo e doutro súbito saltavam, Que o
medo os compelia do que viam; Que antes querem ao mar
aventurar-se Que nas mãos inimigas entregar-se.
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