Book · Os Lusiadas
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Author: Luis de Camoes
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118 "Passada esta tão próspera vitória, Tornando Afonso à
Lusitana terra, A se lograr da paz com tanta glória Quanta soube
ganhar na dura guerra, O caso triste, e dino da memória, Que do
sepulcro os homens desenterra, Aconteceu da mísera e mesquinha
Que depois de ser morta foi Rainha.
119 "Tu só, tu, puro Amor, com força crua, Que os corações
humanos tanto obriga, Deste causa à molesta morte sua, Como se
fora pérfida inimiga. Se dizem, fero Amor, que a sede tua Nem com
lágrimas tristes se mitiga, É porque queres, áspero e tirano,
Tuas aras banhar em sangue humano.
120 "Estavas, linda Inês, posta em sossego, De teus anos colhendo
doce fruto, Naquele engano da alma, ledo e cego, Que a fortuna
não deixa durar muito, Nos saudosos campos do Mondego, De teus
fermosos olhos nunca enxuto, Aos montes ensinando e às ervinhas O
nome que no peito escrito tinhas.
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