Book · Os Lusiadas
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Author: Luis de Camoes
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15 "Assim passando aquelas regiões Por onde duas vezes passa
Apolo, Dois invernos fazendo e dois verões, Enquanto corre dum ao
outro Pólo, Por calmas, por tormentas e opressões, Que sempre f
az no mar o irado Eolo, Vimos as Ursas, apesar de Juno,
Banharem-se nas águas de Netuno.
16 "Contar-te longamente as perigosas Coisas do mar, que os
homens não entendem: Súbitas trovoadas temerosas, Relâmpados que
o ar em fogo acendem, Negros chuveiros, noites tenebrosas,
Bramidos de trovões que o mundo fendem, Não menos é trabalho, que
grande erro, Ainda que tivesse a voz de ferro.
17 "Os casos vi que os rudos marinheiros, Que têm por mestra a
longa experiência, Contam por certos sempre e verdadeiros,
Julgando as cousas só pela aparência, E que os que têm juízos
mais inteiros, Que só por puro engenho e por ciência, Vêem do
mundo os segredos escondidos, Julgam por falsos, ou mal
entendidos.
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