Book · Os Lusiadas
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Author: Luis de Camoes
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117 "Um dia que pregando ao povo estava, Fingiram entre a gente
um arruído. (Já Cristo neste tempo lhe ordenava Que, padecendo,
fosse ao Céu subido); A multidão das pedras que voava No Santo
dá, já a tudo oferecido; Um dos maus, por fartar-se mais
depressa, Com crua lança o peito lhe atravessa.
118 "Choraram-te, Tomé, o Gange e o Indo; Chorou-te toda a terra
que pisaste; Mais te choram as almas que vestindo Se iam da santa
Fé que lhe ensinaste. Mas os Anjos do Céu, cantando e rindo, Te
recebem na glória que ganhaste. Pedimos-te que a Deus ajuda peças
Com que os teus Lusitanos favoreças.
119 "E vós outros que os nomes usurpais De mandados de Deus, como
Tomé, Dizei: se sois mandados, como estais Sem irdes a pregar a
santa Fé? Olhai que, se sois Sal e vos danais Na pátria, onde
profeta ninguém é, Com que se salgarão em nossos dias (Infiéis
deixo) tantas heresias?
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