Book · Os Lusiadas
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Author: Luis de Camoes
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39 "Mas oh, que luz tamanha que abrir sinto (Dizia a Ninfa, e a
voz alevantava) Lá no mar de Melinde, em sangue tinto Das cidades
de Lamo, de Oja e Brava, Pelo Cunha também, que nunca extinto
Será seu nome em todo o mar que lava As ilhas do Austro, e praias
que se chamam De São Lourenço, e em todo o Sul se afamam!
40 "Esta luz é do fogo e das luzentes Armas com que Albuquerque
irá amansando De Ormuz os Párseos, por seu mal valentes, Que
refusam o jugo honroso e brando. Ali verão as setas estridentes
Reciprocar-se, a ponta no ar virando Contra quem as tirou; que
Deus peleja Por quem estende a fé da Madre Igreja.
41 "Ali do sal os montes não defendem De corrupção os corpos no
combate, Que mortos pela praia e mar se estendem De Gerum, de
Mazcate e Calaiate; Até que à força só de braço aprendem A abaxar
a cerviz, onde se lhe ate Obrigação de dar o reino inico Das
perlas de Barém tributo rico.
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