Book · Os Lusiadas
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Author: Luis de Camoes
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81 "Que geração tão dura há hi de gente, Que bárbaro costume e
usança feia, Que não vedem os portos tão somente, Mas inda o
hospício da deserta areia? Que má tenção, que peito em nós se
sente, Que de tão pouca gente se arreceia? Que com laços armados,
tão fingidos, Nos ordenassem ver-nos destruídos?
82 "Mas tu, e quem mui certo confiamos Achar-se mais verdade, ó
Rei benigno, E aquela certa ajuda em ti esperamos, Que teve o
perdido Ítaco em Alcino, A teu porto seguro navegamos, Conduzidos
do intérprete divino; Que, pois a ti nos manda, está mui claro,
Que és de peito sincero, humano e raro.
83 "E não cuides, ó Rei, que não saísse O nosso Capitão
esclarecido A ver-te, ou a servir-te, porque visse Ou suspeitasse
em ti peito fingido: Mas saberás que o fez, porque cumprisse O
regimento, em tudo obedecido, De seu Rei, que lhe manda que não
saia, Deixando a frota, em nenhum porto ou praia.
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