Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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98 --"Mas ó tu, geração daquele insano, Cujo pecado e
desobediência, Não somente do reino soberano Te pôs neste
desterro e triste ausência, Mas inda doutro estado mais que
humano Da quieta e da simples inocência, Idade d'ouro, tanto te
privou, Que na de ferro e d'armas te deitou:
99 --"Já que nesta gostosa vaidade Tanto enlevas a leve fantasia,
Já que à bruta crueza e feridade Puseste nome esforço e valentia,
Já que prezas em tanta quantidades O desprezo da vida, que devia
De ser sempre estimada, pois que já Temeu tanto perdê-la quem a
dá:
100 --"Não tens junto contigo o Ismaelita, Com quem sempre terás
guerras sobejas? Não segue ele do Arábio a lei maldita, Se tu
pela de Cristo só pelejas? Não tem cidades mil, terra infinita,
Se terras e riqueza mais desejas? Não é ele por armas esforçado,
Se queres por vitórias ser louvado?
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