Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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69 "Desta gente refresco algum tomamos, E do rio fresca água; mas
contudo Nenhum sinal aqui da Índia achamos No Povo, com nós
outros quase mudo. Ora vê, Rei, que tamanha terra andamos, Sem
sair nunca deste povo rudo, Sem vermos nunca nova nem sinal Da
desejada parte Oriental.
70 "Ora imagina agora coitados Andaríamos todos, perdidos, De
fomes, de tormentas quebrantados, Por climas e por mares não
sabidos, E do esperar comprido tão cansados, Quanto a desesperar
já compelidos, Por céus não naturais, de qualidade Inimiga de
nossa humanidade.
71 "Corrupto já e danado o mantimento, Danoso e mau ao fraco
corpo humano, E além disso nenhum contentamento, Que sequer da
esperança fosse engano. Crês tu que, se este nosso ajuntamento De
soldados não fora Lusitano, Que durara ele tanto obediente Por
ventura a seu Rei e a seu regente?
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