Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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74 "Esta é a verdade, Rei; que não faria Por tão incerto bem, tão
fraco prémio, Qual, não sendo isto assim, esperar podia, Tão
longo, tão fingido e vão proêmio; Mas antes descansar me deixaria
No nunca descansado e fero grêmio Da madre Tethys, qual pirata
inico, Dos trabalhos alheios feito rico.
75 "Assim que, ó Rei, se minha grã verdade Tens por qual é,
sincera e não dobrada, Ajunta-me ao despacho brevidade, Não me
impeças o gosto da tornada. E, se ainda te parece falsidade,
Cuida bem na razão que está provada, Que com claro juízo pode
ver-se, Que fácil é a verdade de entender-se."
76 A tento estava o Rei na segurança Com que provava o Gama o que
dizia; Concebe dele certa confiança, Crédito firme em quanto
proferia. Pondera das palavras a abastança, Julga na autoridade
grão valia, Começa de julgar por enganados Os Catuais corruptos,
mal julgados.
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