Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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62 A cândida cecém, das matutinas Lágrimas rociada, e a
manjarona. Vêem-se as letras nas flores Hiacintinas, Tão queridas
do filho de Latona. Bem se enxerga nos pomos e boninas Que
competia Cloris com Pomona. Pois se as aves no ar cantando voam,
Alegres animais o chão povoam.
63 Ao longo da água o níveo cisne canta, Responde-lhe do ramo
filomela; Da sombra de seus cornos não se espanta Acteon, n'água
cristalina e bela; Aqui a fugace lebre se levanta Da espessa
mata, ou tímida gazela; Ali no bico traz ao caro ninho O
mantimento o leve passarinho.
64 Nesta frescura tal desembarcavam Já das naus os segundos
Argonautas, Onde pela floresta se deixavam Andar as belas Deusas,
como incautas. Algumas doces cítaras tocavam, Algumas harpas e
sonoras flautas, Outras com os arcos de ouro se fingiam Seguir os
animais, que não seguiam.
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