Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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49 "Bem como quando a flama, que ateada Foi nos áridos campos
(assoprando O sibilante Bóreas) animada Co'o vento, o seco mato
vai queimando; A pastoral companha, que deitada Co'o doce sono
estava, despertando Ao estridor do fogo que se ateia, Recolhe o
fato, e foge para a aldeia:
50 "Desta arte o Mouro atónito e torvado, Toma sem tento as armas
mui depressa; Não foge; mas espera confiado, E o ginete belígero
arremessa. O Português o encontra denodado, Pelos peitos as
lanças lhe atravessa: Uns caem meios mortos, e outros vão A ajuda
convocando do Alcorão.
51 "Ali se vêem encontros temerosos, Para se desfazer uma alta
serra, E os animais correndo furiosos Que Neptuno amostrou
ferindo a terra. Golpes se dão medonhos e forçosos; Por toda a
parte andava acesa a guerra: Mas o de Luso arnês, couraça e malha
Rompe, corta, desfaz, abola e talha.
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