Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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95 Por meio destes hórridos perigos, Destes trabalhos graves e
temores, Alcançam os que são de fama amigos As honras imortais e
graus maiores: Não encostados sempre nos antigos Troncos nobres
de seus antecessores; Não nos leitos dourados, entre os finos
Animais de Moscóvia zebelinos;
96 Não com os manjares novos e esquisitos, Não com os passeios
moles e ociosos, Não com os vários deleites e infinitos, Que
afeminam os peitos generosos, Não com os nunca vencidos apetitos
Que a Fortuna tem sempre tão mimosos, Que não sofre a nenhum que
o passo mude Para alguma obra heróica de virtude;
97 Mas com buscar com o seu forçoso braço As honras, que ele
chame próprias suas; Vigiando, e vestindo o forjado aço, Sofrendo
tempestades e ondas cruas; Vencendo os torpes frios no regaço Do
Sul e regiões de abrigo nuas; Engolindo o corrupto mantimento,
Temperado com um árduo sofrimento;
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