Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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62 "E se de grandes Reinos poderosos O teu Rei tem a régia
majestade, Que presentes me trazes valerosos, Sinais de tua
incógnita verdade? Com peças e dons altos, sumptuosos, Se lia dos
Reis altos a amizade; Que sinal nem penhor não é bastante As
palavras dum vago navegante.
63 "Se porventura vindes desterrados, Como já foram homens de
alta sorte, Em meu Reino sereis agasalhados, Que toda a terra é
pátria para o forte; Ou se piratas sois ao mar usados, Dizei-mo
sem temor de infâmia ou morte, Que por se sustentar em toda
idade, Tudo faz a vital necessidade."
64 Isto assim dito, o Gama, que já tinha Suspeitas das insídias
que ordenava O Mallomético ódio, donde vinha Aquilo que tão mal o
Rei cuidava, Com uma alta confiança, que convinha, Com que seguro
crédito alcançava, Que Vénus Acidália lhe influía, Tais palavras
do sábio peito abria:
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