Libro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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41 "Ali, com mil refrescos e manjares, Com vinhos odoríferos e
rosas, Em cristalinos paços singulares Formosos leitos, e elas
mais formosas; Enfim, com mil deleites não vulgares, Os esperem
as Ninfas amorosas, De amor feridas, para lhes entregarem Quanto
delas os olhos cobiçarem.
42 "Quero que haja no reino Netunino, Onde eu nasci, progénie
forte e bela, E tome exemplo o mundo vil, malino, Que contra tua
potência se rebela, Por que entendam que muro adamantino, Nem
triste hipocrisia val contra ela: Mal haverá na terra quem se
guarde, Se teu fogo imortal nas águas arde."
43 Assim Vénus propôs, e o filho inieo, Para lhe obedecer, já se
apercebe: Manda trazer o arco ebúrneo rico, Onde as setas de
ponta de ouro embebe. Com gesto ledo a Cípria, e impudico, Dentro
no carro o filho seu recebe; A rédea larga às aves, cujo canto A
Factôntea morte chorou tanto.
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