Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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41 "Muitos também do vulgo vil sem nome Vão, e também dos nobres,
ao profundo, Onde o trifauce Cão perpétua fome Tem das almas que
passam deste mundo. E porque mais aqui se amanse e dome A soberba
do amigo furibundo, A sublime bandeira Castelhana Foi derribada
aos pés da Lusitana.
42 "Aqui a fera batalha se encruece Com mortes, gritos, sangue e
cutiladas; A multidão da gente que perece Tem as flores da
própria cor mudadas; Já as costas dão e as vidas; já falece O
furor e sobejam as lançadas; Já de Castela o Rei desbaratado Se
vê, e de seu propósito mudado.
43 "O campo vai deixando ao vencedor, Contente de lhe não deixar
a vida. Seguem-no os que ficaram, e o temor Lhe dá, não pés, mas
asas à fugida. Encobrem no profundo peito a dor Da morte, da
fazenda despendida, Da mágoa, da desonra, e triste nojo De ver
outrem triunfar de seu despojo.
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