Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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59 Abre a romã, mostrando a rubicunda Cor, com que tu, rubi, teu
preço perdes; Entre os braços do ulmeiro está a jocunda Vide, com
uns cachos roxos e outros verdes; E vós, se na vossa árvore
fecunda, Peras piramidais, viver quiserdes, Entregai-vos ao dano,
que, com os bicos, Em vós fazem os pássaros inicos.
60 Pois a tapeçaria bela e fina, Com que se cobre o rústico
terreno, Faz ser a de Aqueménia menos diria, Mas o sombrio vale
mais ameno. Ali a cabeça a flor Cifísia inclina Sôbolo tanque
lúcido e sereno; Floresce o filho e neto de Ciniras, Por quem tu,
Deusa Páfia, inda suspiras.
61 Para julgar, difícil coisa fora, No céu vendo e na terra as
mesmas cores, Se dava às flores cor a bela Aurora, Ou se lha dão
a ela as belas flores. Pintando estava ali Zéfiro e Flora As
violas da cor dos amadores; O lírio roxo, a fresca rosa bela,
Qual reluz nas faces da donzela;
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