Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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15 E todos outra vez desbaratando, Por terra e mar, o grão
Pacheco ousado, A grande multidão que irá matando A todo o
Malabar terá admirado. Cometerá outra vez, não dilatando, O
Gentio os combates, apressado, Injuriando os seus, fazendo votos
Em vão aos Deuses vãos, surdos e imotos.
16 Já não defenderá somente os passos, Mas queimar-lhe-á lugares,
templos, casas; Aceso de ira, o Cão, não vendo lassos Aqueles que
as cidades fazem rasas, Fará que os seus, de vida pouco escassos,
Cometam o Pacheco, que tem asas, Por dous passos num tempo; mas
voando Dum noutro, tudo irá desbaratando.
17 Virá ali o Samorim, por que em pessoa Veja a batalha e os seus
esforce e anime; Mas um tiro, que com zunido voa, De sangue o
tingirá no andor sublime. Já não verá remédio ou manha boa Nem
força que o Pacheco muito estime; Inventará traições e vãos
venenos, Mas sempre (o Céu querendo) fará menos.
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