Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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75 Despois que a corporal necessidade Se satisfez do mantimento
nobre, E na harmonia e doce suavidade Viram os altos feitos que
descobre, Tétis, de graça ornada e gravidade, Pera que com mais
alta glória dobre As festas deste alegre e claro dia, Pera o
felice Gama assi dizia:
76 --"Faz-te mercê, barão, a Sapiência Suprema de, cos olhos
corporais, Veres o que não pode a vã ciência Dos errados e
míseros mortais. Sigue-me firme e forte, com prudência, Por este
monte espesso, tu cos mais." Assi lhe diz e o guia por um mato
Árduo, difícil, duro a humano trato.
77 Não andam muito que no erguido cume Se acharam, onde um campo
se esmaltava De esmeraldas, rubis, tais que presume A vista que
divino chão pisava. Aqui um globo vêm no ar, que o lume
Claríssimo por ele penetrava, De modo que o seu centro está
evidente, Como a sua superfícia, claramente.
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