Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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54 --"Contudo, por livrarmos o Oceano De tanta guerra, eu
buscarei maneira, Com que, com minha honra, escuse o dano." Tal
resposta me torna a mensageira. Eu, que cair não pude neste
engano, (Que é grande dos amantes a cegueira) Encheram-me com
grandes abondanças O peito de desejos e esperanças.
55 --"Já néscio, já da guerra desistindo, Uma noite de Dóris
prometida, Me aparece de longe o gesto lindo Da branca Tétis
única despida: Como doido corri de longe, abrindo Os braços, para
aquela que era vida Deste corpo, e começo os olhos belos A lhe
beijar, as faces e os cabelos.
56 --"Ó que não sei de nojo como o conte! Que, crendo ter nos
braços quem amava, Abraçado me achei com um duro monte De áspero
mato e de espessura brava. Estando com um penedo fronte a fronte,
Que eu pelo rosto angélico apertava Não fiquei homem não, mas
mudo e quedo, E junto dum penedo outro penedo.
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