Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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47 A isto mais se ajunta que um devoto Sacerdote da lei de
Mafamede, Dos ódios concebidos não remoto Contra a divina Fé, que
tudo excede, Em forma do Profeta falso e noto, Que do filho da
escrava Agar procede, Baco odioso em sonhos lhe aparece, Que de
seus ódios ainda se não desse.
48 E diz-lhe assim: "Guardai-vos, gente minha, Do mal que se
aparelha pelo inimigo Que pelas águas úmidas caminha, Antes que
esteis mais perto do perigo." Isto dizendo, acorda o Mouro
asinha, Espantado do sonho; mas consigo Cuida que não é mais que
sonho usado: Torna a dormir quieto e sossegado.
49 Torna Baco, dizendo: "Não conheces O grã legislador que a teus
passados Tem mostrado o preceito a que obedeces, Sem o qual
fôreis muitos batizados? Eu por ti, rudo, velo; e tu adormeces!
Pois saberás que aqueles, que chegados De novo são, serão muito
grande dano Da lei que eu dei ao néscio povo humano.
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