Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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39 "Sempre eu cuidei, ó Padre poderoso, Que, para as cousas que
eu do peito amasse, Te achasse brando, afábil e amoroso, Posto
que a algum contrário lhe pesasse; Mas, pois que contra mim te
vejo iroso, Sem que to merecesse, nem te errasse, Faça-se como
Baco determina; Assentarei enfim que fui mofina.
40 "Este povo que é meu, por quem derramo As lágrimas que em vão
caídas vejo, Que assaz de mal lhe quero, pois que o amo, Sendo tu
tanto contra meu desejo! Por ele a ti rogando choro e bramo, E
contra minha dita enfim pelejo. Ora pois, porque o amo é mal
tratado, Quero-lhe querer mal, será guardado.
41 "Mas moura enfim nas mãos das brutas gentes, Que pois eu
fui..." E nisto, de mimosa, O rosto banha em lágrimas ardentes,
Como co'o orvalho fica a fresca rosa. Calada um pouco, como se
entre os dentes Se lhe impedira a fala piedosa, Torna a segui-la;
e indo por diante, Lhe atalha o poderoso e grão Tonante.
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