Livre · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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67 "Desta arte Afonso súbito mostrado Na gente dá, que passa bem
segura, Fere, mata, derriba denodado; Foge o Rei Mouro, e só da
vida cura. Dum pânico terror todo assombrado, Só de segui-lo o
exército procura; Sendo estes que fizeram tanto abalo Não mais
que só sessenta de cavalo.
68 "Logo segue a vitória sem tardança O grão Rei incansábil,
ajuntando Gentes de todo o Reino, cuja usança Era andar sempre
terras conquistando. Cercar vai Badajoz, e logo alcança O fim de
seu desejo, pelejando Com tanto esforço, e arte, e valentia, Que
a fez fazer às outras companhia.
69 "Mas o alto Deus, que para longe guarda O castigo daquele que
o merece, Ou, para que se emende, às vezes tarda, Ou por segredos
que homem não conhece, Se até que sempre o forte Rei resguarda
Dos perigos a que ele se oferece; Agora lhe não deixa ter defesa
Da maldição da mãe que estava presa.
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