Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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127 --"Ó tu, que tens de humano o gesto e o peito (Se de humano é
matar uma donzela Fraca e sem força, só por ter sujeito O coração
a quem soube vencê-la) A estas criancinhas tem respeito, Pois o
não tens à morte escura dela; Mova-te a piedade sua e minha, Pois
te não move a culpa que não tinha.
128 --"E se, vencendo a Maura resistência, A morte sabes dar com
fogo e ferro, Sabe também dar vicia com clemência A quem para
perdê-la não fez erro. Mas se to assim merece esta inocência,
Põe-me em perpétuo e mísero desterro, Na Cítia f ria, ou lá na
Líbia ardente, Onde em lágrimas viva eternamente.
129 "Põe-me onde se use toda a feridade, Entre leões e tigres, e
verei Se neles achar posso a piedade Que entre peitos humanos não
achei: Ali com o amor intrínseco e vontade Naquele por quem
morro, criarei Estas relíquias suas que aqui viste, Que
refrigério sejam da mãe triste."--
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