Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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77 "Eu, que bem mal cuidava que em efeito Se pusesse o que o
peito me pedia, Que sempre grandes cousas deste jeito Pressago o
coração me prometia, Não sei por que razão, por que respeito, Ou
por que bom sinal que em mi se via, Me põe o ínclito Rei nas mãos
a chave Deste cometimento grande e grave.
78 "E com rogo o palavras amorosas, Que é um mando nos Reis, que
a mais obriga, Me disse:--"As cousas árduas e lustrosas Se
alcançam com trabalho e com fadiga; Faz as pessoas altas e
famosas A vida que se perde e que periga; Que, quando ao medo
infame não se rende, Então, se menos dura, mais se estende.
79 --"Eu vos tenho entre todos escolhido Para uma empresa, qual a
vós se deve, Trabalho ilustre, duro e esclarecido, O que eu sei
que por mi vos será leve."-- Não sofri mais, mas logo:--"Ó Rei
subido, Aventurar-me a ferro, a fogo, a neve, É tão pouco por
vós, que mais me pena Ser esta vida cousa tão pequena.
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