Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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8 Pois que direi daqueles que em delícias, Que o vil ócio no
mundo traz consigo, Gastam as vidas, logram as divícias,
Esquecidos de seu valor antigo? Nascem da tirania inimicícias,
Que o povo forte tem de si inimigo: Contigo, Itália, falo, já
submersa Em Vícios mil, e de ti mesma adversa.
9 Ó míseros Cristãos, pela ventura, Sois os dentes de Cadmo
desparzidos, Que uns aos outros se dão a morte dura, Sendo todos
de um ventre produzidos? Não vedes a divina sepultura Possuída de
cães, que sempre unidos Vos vêm tomar a vossa antiga terra,
Fazendo-se famosos pela guerra?
10 Vedes que têm por uso e por decreto, Do qual são tão inteiros
observantes, Ajuntarem o exército inquieto Contra os povos que
são de Cristo amantes; Entre vós nunca deixa a fera Aleto De
semear cizânias repugnantes: Olhai se estais seguros de perigos,
Que eles e vós sois vossos inimigos.
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