Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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53 Com peitas, ouro, e dádivas secretas Conciliam da terra os
principais, E com razões notáveis e discretas Mostram ser
perdição dos naturais, Dizendo que são gentes inquietas, Que, os
mares discorrendo ocidentais, Vivem só de piráticas rapinas, Sem
Rei, sem leis humanas ou divinas
54 Ó quanto deve o Rei que bem governa, De olhar que os
conselheiros, ou privados, De consciência e de virtude interna E
de sincero amor sejam dotados! Porque, como este posto na suprema
Cadeira, pode mal dos apartados Negócios ter notícia mais
inteira, Do que lhe der a língua conselheira.
55 Nem tão pouco direi que tome tanto Em grosso a consciência
limpa e certa, Que se enleve num pobre e humilde manto, Onde
ambição acaso ande encoberta. E quando um bom em tudo é justo e
santo, Em negócios do mundo pouco acerta, Que mal com eles poderá
ter conta A quieta inocência, em só Deus pronta.
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