Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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14 Leva alguns Malabares, que tomou Por força, dos que o Samorim
mandara Quando os presos feitores lhe tornou; Leva pimenta
ardente, que comprara; A seca flor de Banda não ficou, A noz, e o
negro cravo, que faz clara A nova ilha Maluco, com a canela, Com
que Ceilão é rica, ilustre e bela.
15 Isto tudo lhe houvera a diligência De Monçaide fiel, que
também leva, Que, inspirado de angélica influência, Quer no livro
de Cristo que se escreva. Ó ditoso Africano, que a clemência
Divina assim tirou de escura treva, E tão longe da pátria achou
maneira Para subir à pátria verdadeira!
16 Apartadas assim da ardente costa As venturosas naus, levando a
proa Para onde a Natureza tinha posta A meta Austrina da
esperança boa, Levando alegres novas e resposta Da parte Oriental
para Lisboa, Outra vez cometendo os duros medos Do mar incerto,
tímidos e ledos;
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