Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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74 Qual cão de caçador, sagaz e ardido, Usado a tomar na água a
ave ferida, Vendo no rosto o férreo cano erguido Para a garcenha
ou pata conhecida, Antes que soe o estouro, mal sofrido Salta
n'água, e da presa não duvida, Nadando vai e latindo: assim o
mancebo Remete à que não era irmã de Febo.
75 Leonardo, soldado bem disposto, Manhoso, cavaleiro e namorado,
A quem amor não dera um só desgosto, Mas sempre fora dele
maltratado, E tinha já por firme pressuposto Ser com amores mal
afortunado, Porém não que perdesse a esperança De ainda poder seu
fado ter mudança,
76 Quis aqui sua ventura, que corria Após Efire, exemplo de
beleza, Que mais caro que as outras dar queria O que deu para
dar-se a natureza. Já cansado correndo lhe dizia: "Ó formosura
indigna de aspereza, Pois desta vida te concedo a palma, Espera
um corpo de quem levas a alma.
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