Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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18 As âncoras tenaces vão levando Com a náutica grita costumada;
Da proa as velas sós ao vento dando Inclinam para a barra
abalizada. Mas a linda Ericina, que guardando Andava sempre a
gente assinalada, Vendo a cilada grande, e tão secreta, Voa do
Céu ao mar como uma seta.
19 Convoca as alvas filhas de Nereu, Com toda a mais cerúlea
companhia, Que, porque no salgado mar nasceu, Das águas o poder
lhe obedecia. E propondo-lhe a causa a que desceu, Com todas
juntamente se partia, Para estorvar que a armada não chegasse
Aonde para sempre se acabasse.
20 Já na água erguendo vão, com grande pressa, Com as argênteas
caudas branca escuma; Cloto eo'o peito corta e atravessa Com mais
furor o mar do que costuma. Salta Nise, Nerine se arremessa Por
cima da água crespa, em força suma. Abrem caminho as ondas
encurvadas De temor das Nereidas apressadas.
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