Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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75 O Rei, que já sabia da nobreza Que tanto os Portugueses
engrandece, Tomarem o seu porto tanto preza, Quanto a gente
fortíssima merece: E com verdadeiro ânimo e pureza, Que os peitos
generosos enobrece, Lhe manda rogar muito que saíssem, Para que
de seus reinos se servissem.
76 São oferecimentos verdadeiros, E palavras sinceras, não
dobradas, As que o Rei manda aos nobres cavaleiros, Que tanto mar
e terras tem passadas. Manda-lhe mais lanígeros carneiros, E
galinhas domésticas cevadas, Com as frutas, que então na terra
havia; E a vontade à dádiva excedia.
77 Recebe o Capitão alegremente O mensageiro ledo e seu recado; E
logo manda ao Rei outro presente, Que de longe trazia aparelhado:
Escarlata purpúrea, cor ardente, O ramoso coral, fino e prezado,
Que debaixo das águas mole cresce, E como é fora delas se
endurece.
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