Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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22 Estava o Padre ali sublime e dino, Que vibra os feros raios de
Vulcano, Num assento de estrelas cristalino, Com gesto alto,
severo e soberano. Do rosto respirava um ar divino, Que divino
tornara um corpo humano; Com uma coroa e ceptro rutilante, De
outra pedra mais clara que diamante.
23 Em luzentes assentos, marchetados De ouro e de perlas, mais
abaixo estavam Os outros Deuses todos assentados, Como a razão e
a ordem concertavam: Precedem os antíguos mais honrados; Mais
abaixo os menores se assentavam; Quando Júpiter alto, assim
dizendo, C'um tom de voz começa, grave e horrendo:
24 "Eternos moradores do luzente Estelífero pólo, e claro
assento, Se do grande valor da forte gente De Luso não perdeis o
pensamento, Deveis de ter sabido claramente, Como é dos fados
grandes certo intento, Que por ela se esqueçam os humanos De
Assírios, Persas, Gregos e Romanos.
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