Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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103 --"Quantos povos a terra produziu De África toda, gente fera
e estranha, O grão Rei de Marrocos conduziu Para vir possuir a
nobre Espanha: Poder tamanho junto não se viu, Depois que o salso
mar a terra banha. Trazem ferocidade, e furor tanto, Que a vivos
medo, e a mortos faz espanto.
104 --"Aquele que me deste por marido, Por defender sua terra
amedrontada, Co'o pequeno poder, oferecido Ao duro golpe está da
Maura espada; E se não for contigo socorrido, Ver-me-ás dele e do
Reino ser privada, Viúva e triste, e posta em vida escura, Sem
marido, sem Reino, e sem ventura.
105 "Portanto, ó Rei, de quem com puro medo O corrente Muluca se
congela, Rompe toda a tardança, acude cedo A miseranda gente de
Castela. Se esse gesto, que mostras claro e ledo, De pai o
verdadeiro amor assela, Acude e corre, pai, que se não corres,
Pode ser que não aches quem socorres."--
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