Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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11 "Também movem da guerra as negras fúrias A gente Biscainha,
que carece De polidas razões, e que as injúrias Muito mal dos
estranhos compadece. A terra de Guipúscua e das Astúrias, Que com
minas de ferro se enobrece, Armou dele os soberbos moradores,
Para ajudar na guerra a seus senhores.
12 "Joane, a quem do peito o esforço cresce, Como a Sansão
Hebréio da guedelha, Posto que tudo pouco lhe parece, Co'os
poucos de seu Reino se aparelha; E não porque conselho lhe
falece, Co'os principais senhores se aconselha, Mas só por ver
das gentes as sentenças: Que sempre houve entre muitos
diferenças.
13 "Não falta com razões quem desconcerte Da opinião de todos, na
vontade, Em quem o esforço antigo se converte Em desusada e má
deslealdade; Podendo o temor mais, gelado, inerte, Que a própria
e natural fidelidade: Negam o Rei e a pátria, e, se convém,
Negarão (como Pedro) o Deus que têm.
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