Libro · Os Lusiadas
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Autore: Luis de Camoes
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89 "Em tão longo caminho e duvidoso Por perdidos as gentes nos
julgavam; As mulheres c'um choro piedoso, Os homens com suspiros
que arrancavam; Mães, esposas, irmãs, que o temeroso Amor mais
desconfia, acrescentavam A desesperarão, e frio medo De já nos
não tornar a ver tão cedo.
90 "Qual vai dizendo:--"Ó filho, a quem eu tinha Só para
refrigério, e doce amparo Desta cansada já velhice minha, Que em
choro acabará, penoso e amaro, Por que me deixas, mísera e
mesquinha? Por que de mim te vás, ó filho caro, A fazer o funéreo
enterramento, Onde sejas de peixes mantimento!"--
91 "Qual em cabelo:--"Ó doce e amado esposo, Sem quem não quis
Amor que viver possa, Por que is aventurar ao mar iroso Essa vida
que é minha, e não é vossa? Como por um caminho duvidoso Vos
esquece a afeição tão doce nossa? Nosso amor, nosso vão
contentamento Quereis que com as velas leve o vento?"--
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