Boek · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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115 "Já se ia o Sol ardente recolhendo Para a casa de Tethys, e
inclinado Para o Ponente, o Véspero trazendo, Estava o claro dia
memorado, Quando o poder do Mauro grande e horrendo Foi pelos
fortes Reis desbaratado, Com tanta mortandade, que a memória
Nunca no mundo viu tão grã vitória.
116 "Não matou a quarta parte o forte Mário Dos que morreram
neste vencimento, Quando as águas co'o sangue do adversário Fez
beber ao exército sedento; Nem o Peno asperíssimo contrário Do
Romano poder, de nascimento, Quando tantos matou da ilustro Roma,
Que alqueires três de anéis dos mortos toma.
117 "E se tu tantas almas só pudeste Mandar ao Reino escuro de
Cocito, Quando a santa Cidade desfizeste Do povo pertinaz no
antigo rito: Permissão e vingança foi celeste, E não força de
braço, ó nobre Tito, Que assim dos Vates foi profetizado, E
depois por Jesu certificado.
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