Boek · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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89 "Não creias, fero Bóreas, que te creio Que me tiveste nunca
amor constante, Que brandura é de amor mais certo arreio, E não
convém furor a firme amante. Se já não pões a tanta insânia
freio, Não esperes de mi, daqui em diante, Que possa mais
amar-te, mas temer-te; Que amor contigo em medo se converte."
90 Assim mesmo a formosa Galateia Dizia ao fero Noto, que bem
sabe Que dias há que em vê-la se recreia, E bem crê que com ele
tudo acabe. Não sabe o bravo tanto bem se o creia, Que o coração
no peito lhe não cabe, De contente de ver que a dama o manda,
Pouco cuida que faz, se logo abranda.
91 Desta maneira as outras amansavam Subitamente os outros
amadores; E logo à linda Vénus se entregavam, Amansadas as iras e
os furores. Ela lhe prometeu, vendo que amavam, Sempiterno favor
em seus amores, Nas belas mãos tomando-lhe homenagem De lhe serem
leais esta viagem.
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