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Auteur: Luis de Camoes

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106 No mar tanta tormenta, e tanto dano, Tantas vezes a morte
apercebida! Na terra tanta guerra, tanto engano, Tanta
necessidade avorrecida! Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segura a curta vida, Que não se arme, e se indigne o
Céu sereno Contra um bicho da terra tão pequeno?
Canto Segundo
1 Já neste tempo o lúcido Planeta, Que as horas vai do dia
distinguindo, Chegava à desejada e lenta meta, A luz celeste às
gentes encobrindo, E da casa marítima secreta Lhe estava o Deus
Noturno a porta abrindo, Quando as infidas gentes se chegaram As
naus, que pouco havia que ancoraram.
2 Dentre eles um, que traz encomendado O mortífero engano, assim
dizia: "Capitão valeroso, que cortado Tens de Neptuno o reino e
salsa via, O Rei que manda esta ilha, alvoroçado Da vinda tua,
tem tanta alegria, Que não deseja mais que agasalhar-te, Ver-te,
e do necessário reformar-te.

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