Boek · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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144 Assi foram cortando o mar sereno, Com vento sempre manso e
nunca irado, Até que houveram vista do terreno Em que naceram,
sempre desejado. Entraram pela foz do Tejo ameno, E à sua pátria
e Rei temido e amado O prémio e glória dão por que mandou, E com
títulos novos se ilustrou.
145 Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho Destemperada e a voz
enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente
surda e endurecida. O favor com que mais se acende o engenho Não
no dá a pátria, não, que está metida No gosto da cobiça e na
rudeza Düa austera, apagada e vil tristeza.
146 E não sei por que influxo de Destino Não tem um ledo orgulho
e geral gosto, Que os ânimos levanta de contino A ter pera
trabalhos ledo o rosto. Por isso vós, ó Rei, que por divino
Conselho estais no régio sólio posto, Olhai que sois (e vede as
outras gentes) Senhor só de vassalos excelentes.
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