Boek · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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47 Despede nisto o fero moço as setas Uma após outra: geme o mar
com os tiros; Direitas pelas ondas inquietas Algumas vão, e
algumas fazem giros; Caem as Ninfas, lançam das secretas
Entranhas ardentíssimos suspiros; Cai qualquer, sem ver o vulto
que ama: Que tanto, como a vista, pode a fama.
48 Os cornos ajuntou da ebúrnea lua Com força o moço indómito
excessiva, Que Tethys quer ferir mais que nenhuma, Porque mais
que nenhuma lhe era esquiva. Já não fica na aljava seta alguma,
Nem nos equóreos campos Ninfa viva; E se feridas ainda estão
vivendo, Será para sentir que vão morrendo.
49 Dai lugar, altas e cerúleas ondas, Que, vedes, Vénus traz a
medicina, Mostrando as brancas velas e redondas, Que vêm por cima
da água Netunina. Para que tu recíproco respondas, Ardente Amor,
à flama feminina, É, forçado que a pudicícia honesta Faça quanto
lhe Vénus amoesta.
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