Boek · Os Lusiadas
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Auteur: Luis de Camoes
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60 No feio caminho a noite tinha anelado, E, as estrelas no Céu,
coa luz alhea, Tinham o largo Mundo alumiado; E só co'o sono a
gente se recreia. O Capitão ilustre, já cansado De vigiar a noite
que arreceia, Breve repouso então aos olhos dava, A outra gente a
quartos vigiava;
61 Quando Mercúrio em sonhos lhe aparece, Dizendo: "Fuge, fuge,
Lusitano, Da cilada que o Rei malvado tece, Por te trazer ao fim,
e extremo dano; Fuge, que o vento, e o Céu te favorece; Sereno o
tempo tens e o Oceano, E outro Rei mais amigo, noutra parte, Onde
podes seguro agasalhar-te.
62 "Não tens aqui senão aparelhado O hospício que o cru Diomedes
dava, Fazendo ser manjar acostumado De cavalos a gente que
hospedava; As aras de Busíris infamado, Onde os hóspedes tristes
imolava, Terás certas aqui, se muito esperas. Fuge das gentes
pérfidas e feras.
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