Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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20 Algum repouso, enfim, com que pudesse Refocilar a lassa
humanidade Dos navegantes seus, como interesse Do trabalho que
encurta a breve idade. Parece-lhe razão que conta desse A seu
filho, por cuja potestade Os Deuses faz descer ao vil terreno E
os humanos subir ao céu sereno.
21 Isto bem revolvido, determina De ter-lhe aparelhada, lá no
meio Das águas, alguma ínsula divina, Ornada de esmaltado e verde
arreio; Que muitas tem no reino, que confina Da mãe primeira com
o terreno seio, Afora as que possui soberanas Para dentro das
portas Herculanas.
22 Ali quer que as aquáticas donzelas Esperem os fortíssimos
barões, Todas as que têm título de belas, Glória dos olhos, dor
dos corações, Com danças e coreias, porque nelas Influirá
secretas afeições, Para com mais vontade trabalharem De
contentar, a quem se afeiçoaram.
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