Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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30 "Ó caso grande, estranho e não cuidado, Ó milagre claríssimo e
evidente, Ó descoberto engano inopinado, Ó pérfida, inimiga e
falsa gente! Quem poderá do mal aparelhado Livrar-se sem perigo
sabiamente, Se lá de cima a Guarda soberana Não acudir à fraca
força humana?
31 "Bem nos mostra a divina Providência Destes portos a pouca
segurança; Bem claro temos visto na aparência, Que era enganada a
nossa confiança. Mas pois saber humano nem prudência Enganos tão
fingidos não alcança, Ó tu, Guarda Divina, tem cuidado De quem
sem ti não pode ser guardado!
32 "E se te move tanto a piedade Desta mísera gente peregrina,
Que só por tua altíssima bondade, Da gente a salvas pérfida e
malina, Nalgum porto seguro de verdade Conduzir-nos já agora
determina, Ou nos amostra a terra que buscamos, Pois só por teu
serviço navegamos."
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