Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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42 E destas brandas mostras comovido, Que moveram de um tigre o
peito duro, Co'o vulto alegre, qual do Céu subido, Torna sereno e
claro o ar escuro, As lágrimas lhe alimpa, e acendido Na face a
beija, e abraça o colo puro; De modo que dali, se só se achara,
Outro novo Cupido se gerara.
43 E co'o seu apertando o rosto amado, Que os soluços e lágrimas
aumenta, Como menino da ama castigado, Que quem no afaga o choro
lhe acrescente, Por lhe pôr em sossego o peito irado, Muitos
casos futuros lhe apresenta. Dos fados as entranhas revolvendo,
Desta maneira enfim lhe está dizendo:
44 "Formosa filha minha, não temais Perigo algum nos vossos
Lusitanos, Nem que ninguém comigo possa mais, Que esses chorosos
olhos soberanos; Que eu vos prometo, filha, que vejais
Esquecerem-se Gregos e Romanos, Pelos ilustres feitos que esta
gente Há-de fazer nas partes do Oriente.
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