Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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44 "Entre as damas gentis da corte Inglesa E nobres cortesãos,
acaso um dia Se levantou discórdia em ira acesa, Ou foi opinião,
ou foi porfia. Os cortesãos, a quem tão pouco pesa Soltar
palavras graves de ousadia, Dizem que provarão, que honras e
famas Em tais damas não há para ser damas;
45 "E que se houver alguém, com lança e espada, Que queira
sustentar a parte sua, Que eles, em campo raso ou estacada, Lhe
darão feia infâmia, ou morte crua. A feminil fraqueza Pouco
usada, Ou nunca, a opróbrios tais, vendo-se nua De forças
naturais convenientes, Socorro pede a amigos e parentes.
46 "Mas como fossem grandes e possantes No reino os inimigos, não
se atrevem Nem parentes, nem férvidos amantes, A sustentar as
damas, como devem. Com lágrimas formosas e bastantes A fazer que
em socorro os Deuses levem De todo o Céu, por rostos de
alabastro, Se vão todas ao duque de Alencastro.
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