Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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2 A vós, ó geração de Luso, digo, Que tão pequena parte sois no
inundo; Não digo ainda no mundo, mas no amigo Curral de quem
governa o céu rotundo; Vós, a quem não somente algum perigo
Estorva conquistar o povo imundo, Mas nem cobiça, ou pouca
obediência Da Madre, que nos céus está em essência;
3 Vós, Portugueses, poucos quanto fortes, Que o fraco poder vosso
não pesais; Vós, que à custa de vossas várias mortes A lei da
vida eterna dilatais: Assim do céu deitadas são as sortes, Que
vós, por muito poucos que sejais, Muito façais na santa
Cristandade: Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!
4 Vede-los Alemães, soberbo gado, Que por tão largos campos se
apascenta, Do sucessor de Pedro, rebelado, Novo pastor, e nova
seita inventa: Vede-lo em feias guerras ocupado, Que ainda com o
cego error se não contenta, Não contra o soberbíssimo Otomano,
Mas por sair do jugo soberano.
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