Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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95 Por ela o solta, crendo que ali tinha Penhor bastante, donde
recebesse Interesse maior do que lhe vinha, Se o Capitão mais
tempo detivesse. Ele, vendo que já lhe não convinha Tornar a
terra, por que não pudesse Ser mais retido, sendo às naus chegado
Nelas estar se deixa descansado.
96 Nas naus estar se deixa vagaroso, Até ver o que o tempo lhe
descobre: Que não se fia já do cobiçoso Regedor corrompido e
pouco nobre. Veja agora o juízo curioso Quanto no rico, assim
como no pobre, Pode o vil interesse e sede inimiga Do dinheiro,
que a tudo nos obriga.
97 A Polidoro mata o Ptei Treício, Só por ficar senhor do grão
tesouro; Entra, pelo fortíssimo edifício, Com a filha de Acriso a
chuva d'ouro; Pode tanto em Tarpeia avaro vício, Que, a troco do
metal luzente e louro, Entrega aos inimigos a alta torre, Do qual
quase afogada em pago morre.
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