Livro · Os Lusiadas
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Autor: Luis de Camoes
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111 "E não menos co'o tempo se parece O desejo de ouvir-te o que
contares; Que quem há, que por fama não conhece As obras
Portuguesas singulares? Não tanto desviado resplandece De nós o
claro Sol, para julgares Que os Melindanos têm tão rudo peito,
Que não estimem muito um grande feito.
112 "Cometeram soberbos os Gigantes, Com guerra vã, o Olimpo
claro e puro; Tentou Pirítoo e Teseu, de ignorantes, O Reino de
Plutão horrendo e escuro. Se houve feitos no mundo tão possantes,
Não menos é trabalho ilustre e duro, Quanto foi cometer Inferno o
Céu, Que outrem cometa a fúria de Nereu.
113 "Queimou o sagrado templo de Diana, Do subtil Tesifónio
fabricado, Heróstrato, por ser da gente humana Conhecido no mundo
e nomeado: Se também com tais obras nos engana O desejo de um
nome avantajado, Mais razão há que queira eterna glória Quem faz
obras tão dignas de memória."
Canto Terceiro
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