Книга · Os Lusiadas
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Автор: Luis de Camoes
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48 "Vereis a terra, que a água lhe tolhia, Que inda há-de ser um
porto mui decente, Em que vão descansar da longa via As naus que
navegarem do Ocidente. Toda esta costa enfim, que agora urdia O
mortífero engano, obediente Lhe pagará tributos, conhecendo Não
poder resistir ao Luso horrendo.
49 "E vereis o mar Roxo, tão famoso, Tornar-se-lhe amarelo, de
enfiado; Vereis de Ormuz o Reino poderoso Duas vezes tomado e
sojugado. Ali vereis o Mouro furioso De suas mesmas setas
traspassado: Que quem vai contra os vossos, claro veja Que, se
resiste, contra si peleja.
50 "Vereis a inexpugnábil Dio forte, Que dous cercos terá, dos
vossos sendo. Ali se mostrará seu preço e sorte, Feitos de armas
grandíssimos fazendo. Invejoso vereis o grão Mavorte Do peito
Lusitano fero e horrendo: Do Mouro ali verão que a voz extrema Do
falso Mahamede ao Céu blasfema.
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